sábado, 19 de junho de 2010

O DESERTO DE SI

Luaesol pisca... Ao abrir seu olho simplesmente se vê em um deserto junto com outras pessoas. Está preso em uma imensidão repleta de horizontes, e talvez por isso, não se pergunta o motivo de tal cárcere.

No final de todos os horizontes ele vislumbra imensas dunas que se desfazem e refazem umas sobre as outras numa fabulosa dança com o vento. Ainda atordoado tem seu primeiro pensamento no deserto: “Meus pontos de referencia são móveis, inconstantes... Que rumo tomar?”.

Luaesol assiste pessoas saindo atrás de líderes e depois de muito andar em círculos resolve seguir um líder. Acredita que o ele sabe para onde vai. Alimenta-se da confiança que deposita no seu líder e caminha por um longo tempo atrás dessas pessoas. É o ultimo da fila, anda completamente desligado, segue um líder que nunca vê... É assim até o dia em que o líder subitamente cai morto e todos param. A areia rapidamente encobre o cadáver e logo algumas pessoas voltam a caminhar em círculos. Luaesol sente suas energias exauridas, alguns já deitam no chão se entregando a única certeza. Então surge um novo líder, esse toma o caminho contrario.

Frente à situação Luaesol decide fazer o que viu raras pessoas fazerem durante o tempo em que seguiu em procissão: Caminhar na imensidão da planície tomando um singular caminho.

Segue um caminho sem rumo certo... “De que adiante criar ilusões quanto a um ponto de referencia se eles são dunas itinerantes”

Luaesol ruma às grandes dunas, cada dia uma nova formação de dunas se apresenta junto aos horizontes ou horizontes novos se apresentam junto às dunas, é impossível precisar... “Só posso mesmo é continuar”, pensa enchendo seu coração de esperança. Os fortes ventos de areai encerram a noção de espaço e tempo. As dunas parecem sempre se afastar... Contudo ele não desiste, escolhe acreditar que ruma seu caminho mesmo não estando delineado e prossegue...

Alimenta-se de férteis pomares de silencio cortando a imensidão até ver outras pessoas vindo no sentido contrário. Ele não se surpreende quando pensa em voltar junto com elas, mas firma seus passos e encara aquele ambiente inóspito impulsionado por sua própria escolha e continua contra os ventos.

Mais adiante vê outro grupo, esse caminha a sua frente. Arrastam-se atrás de um acomodado líder. Luaesol não se preocupou em ultrapassá-los: “Não preciso vencê-los, não posso ser derrotado, pois não busco a vitória”, pensa enquanto os observa. Enfim ele resolve correr e ultrapassa-los, aquela visão já o incomoda e também está curioso sobre quem seria aquele que guiava pessoas naquele rumo. Passa e antes de reparar no líder o segundo homem da fila o segue e em seguida todos, exceto o atual líder que parece estar em uma espécie de transe de liderança onde perdeu seus horizontes acomodando-se em simplesmente guiar... O Pobre líder só percebe que perdera seus seguidores quando olha para traz a fim de saciar sua sede e não os vê... Então sai em arrancada...

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